Disponibilidades de águas superficiais e subterrâneas

A ficha temática “Disponibilidades de águas superficiais e subterrâneas” analisa as disponibilidades hídricas em Portugal continental num determinado ano, permitindo avaliar se o ano foi húmido, médio ou seco.

Descrição: 

O conhecimento das disponibilidades hídricas permite uma gestão mais sustentável dos recursos, atendendo que a variabilidade climática que caracteriza Portugal gera frequentes situações de secas e cheias. Este indicador dá a conhecer as disponibilidades hídricas existentes num determinado ano, comparando-as com valores médios, permitindo avaliar se foi um ano húmido, médio ou seco.

O índice de escassez permite relacionar as disponibilidades com as necessidades e assim aferir a procura em relação à oferta de forma a considerar se existe escassez em cada região hidrográfica.

Entende-se por disponibilidade hídrica subterrânea o volume de água que uma massa de água subterrânea pode fornecer anualmente em condições naturais. Este volume está intrinsecamente associado à recarga direta por precipitação. No entanto, ao nível da massa de água subterrânea poderão ocorrer outras origens de recarga, nomeadamente as trocas de água com outras massas de água e processos de drenagem.

O índice de escassez WEI+ surge no seguimento do WEI (Water Exploitation Index), que corresponde à razão entre a procura média anual de água e os recursos médios disponíveis a longo prazo e permite assim avaliar o stress hídrico a que se encontra sujeito um território. O WEI+ tem por objetivo complementar o WEI, incorporando no cálculo da vulnerabilidade a situações de escassez, os retornos de água ao meio hídrico, bem como os caudais ambientais ecológicos. O WEI+ é assim definido como a razão entre o volume total de água captado e as disponibilidades hídricas renováveis.

As necessidades hídricas incluem não só os caudais ambientais, como também os volumes que devem estar disponíveis de forma a cumprir outros requisitos como, por exemplo, a navegação ou tratados internacionais em rios transfronteiriços. Estes volumes, calculados no âmbito do WEI+, correspondem a 10% do valor do escoamento de cada região hidrográfica. Por retorno, entende-se o volume de água que é devolvido ao meio hídrico após utilização pelos sectores e que se encontra disponível para ser reutilizado.

A avaliação da escassez com o cálculo do WEI baseia-se na parcela de recursos consumidos e divide-se em quatro categorias:

  • Sem escassez – países que consomem menos de 10% dos seus recursos renováveis;
  • Escassez reduzida – países que consomem entre 10% e 20% dos seus recursos renováveis;
  • Escassez moderada – países que consomem entre 20% e 40% dos seus recursos renováveis;
  • Escassez severa – países que consomem mais de 40% dos seus recursos renováveis.

Os recursos hídricos subterrâneos são utilizados a nível nacional para diversos fins - abastecimento doméstico, industrial, agrícola e turismo (campos de golfe). Importa assim conhecer e acompanhar a evolução das disponibilidades hídricas subterrâneas, sendo este acompanhamento mais relevante nos períodos extremos, onde têm desempenhado um importante papel, ao suprirem as necessidades de água, devido à sua capacidade de regularização interanual.

A maior parte do país (cerca de 2/3) é ocupada por massas de água indiferenciadas (unidade hidrogeológica do Maciço Antigo), de fraca disponibilidade hídrica resultante da pequena capacidade de armazenamento da água no substrato rochoso, sendo formações com grande variabilidade hídrica anual, muito dependente da precipitação. Ou seja, após as primeiras chuvas começam a armazenar água, mas no fim do ano hidrológico, no período de estiagem, os níveis de água subterrânea são muito baixos. Correspondem a meios heterogéneos, sem continuidade espacial, e com importância apenas local.

Para análise das reservas hídricas subterrâneas, dá-se especial enfâse aos sistemas aquíferos, em virtude de serem meios homogéneos, com significativa capacidade de armazenamento da água subterrânea e de regularização interanual, sendo nestes meios onde se localizam as principais reservas hídricas subterrâneas, com importância regional.

Contudo, face à utilização destes recursos, importa conhecer a evolução das disponibilidades hídricas em todas as massas de água, independentemente do meio hidrogeológico.

Este acompanhamento é efetuado anualmente pela APA, ao longo de cada ano hidrológico, tendo por base a rede de monitorização piezométrica. Neste sentido, comparam-se os níveis registados ao longo do ano hidrológico com o valor médio mensal ou com o percentil 20 (indicador de fraca disponibilidade hídrica) da série histórica, permitindo aferir da evolução das disponibilidades hídricas em cada massa de água.

Esta ficha temática diz respeito a Portugal continental e será atualizada anualmente.
 

Objetivos e Metas: 
  • Conhecer as disponibilidades hídricas por massa de água;
  • Comparar as disponibilidades hídricas anuais com valores médios para caraterização do ano (húmido, médio ou seco);
  • Analisar o índice de escassez por massa de água com base no conhecimento das disponibilidades e das necessidades de água.
Análise da evolução:

Para a caracterização do escoamento superficial foi utilizado uma série longa de dados para cálculo do escoamento médio anual em ano húmido (percentil 80), ano médio (percentil 50) e ano seco (percentil 20).

Última atualização: 
Sexta, 1 Junho, 2018