Intensidade energética e carbónica da economia

A ficha temática “Intensidade energética e carbónica da economia” analisa a evolução do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa face ao crescimento económico, em Portugal e na UE-28. Esta ficha afere também a emissão dos gases gerados pela produção e consumo de energia, relativamente ao seu consumo interno.

Descrição: 

A intensidade energética de uma economia consiste na razão entre o consumo interno de energia e o seu Produto Interno Bruto (PIB). Historicamente, o crescimento económico implica um aumento do consumo de energia, elevando as pressões sobre o ambiente.

Este indicador permite reconhecer a desejada dissociação (decoupling) entre o consumo de energia e o crescimento económico. A dissociação relativa verifica-se quando o aumento do consumo de energia é mais lento do que o crescimento económico. Se o consumo de energia estabilizar ou diminuir, enquanto o PIB continua a crescer, temos a dissociação absoluta entre estas duas variáveis, associada à natural redução dos impactes negativos sobre o ambiente.

Existem evidências de que as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) são responsáveis pelo aumento da temperatura, resultando em alterações climáticas de origem antropogénica. Tendo a UE assumido o compromisso de reduzir as emissões de GEE, a intensidade carbónica da economia analisa a dissociação entre a emissão de GEE e o crescimento económico. Para alcançar esta dissociação contribuem essencialmente a eficiência no sector energético e a substituição de combustíveis de origem fóssil pelos provenientes de fontes renováveis.

A utilização de fontes de energia renovável contribui para uma diminuição dos GEE provenientes da produção e consumo de energia, face ao consumo interno de energia.

Esta ficha temática diz respeito a Portugal e será atualizada anualmente.

Objetivos e Metas: 
  • Acelerar a convergência da intensidade energética nacional para os níveis europeus, estimulando a utilização de tecnologias mais eficientes [Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética - PNAEE 2016];
  • Em 2016, reduzir o consumo energético em aproximadamente 8,2% relativamente à média do consumo final de energia verificada no período entre 2001 e 2005, o que se aproxima da meta definida pela UE de 9% de poupança de energia até 2016 [PNAEE 2016];
  • Meta geral de redução de 25% e meta específica para a Administração Pública de redução de 30% do consumo de energia primária até 2020 [PNAEE 2016];
  • No âmbito do quadro de ação da UE relativo ao clima e à energia para 2030, foi definida, em outubro de 2014, a meta não vinculativa de redução do consumo de energia em pelo menos 27% em relação às projeções do consumo futuro de energia com base nos critérios atuais.
  • O Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC 2020/2030) define os seguintes objetivos:

- Assegurar uma trajetória sustentável de redução das emissões nacionais de GEE de forma a alcançar metas de -18% a -23% em 2020 (68-72 Mt CO2e) e de -30% a -40% (52,7-61,5 Mt CO2e) em 2030, em relação a 2005, garantindo o cumprimento dos compromissos nacionais de mitigação e colocando Portugal em linha com os objetivos europeus e internacionais;
- Assegurar objetivos de redução nos sectores não-CELE traduzidos nos seguintes objetivos sectoriais:

 

Objetivos sectoriais do PNAC para sectores não-CELE, face a 2005:

Sector não-cele 2020 2030
Serviços -65% -69%
residencial -14% -15%
transportes -14% -26%
agricultura -8% -11%
resíduos* -14% -26%

* inclui águas residuais

 

- Adicionalmente, Portugal assumiu o compromisso de assegurar a neutralidade das suas emissões até ao final da primeira metade do século.

Análise da evolução:

A aposta na eficiência energética começa a ser visível nos níveis de intensidade energética da economia portuguesa, que têm vindo a diminuir desde 2005, começando a convergir com a média da União Europeia a 28 (UE-28), ainda que tenha, geralmente, apresentado valores superiores. Em 2015, ocorreu um aumento da intensidade energética em Portugal, contrariando a tendência decrescente dos últimos anos mas em 2016 assistiu-se a um ligeiro decréscimo.

Última atualização: 
Quinta, 17 Janeiro, 2019