Pegada energética e carbónica dos transportes

A ficha temática “Pegada energética e carbónica dos transportes” analisa a intensidade energética no sector dos transportes, bem como a correspondente fração de energia renovável utilizada. Apresenta ainda os valores das emissões de gases com efeito de estufa nos transportes.

Descrição: 

Em Portugal, os transportes representam uma parte importante do consumo de energia final, sendo o transporte rodoviário responsável pela quase totalidade desse consumo. Verifica-se ainda que os transportes terrestres são os maiores responsáveis pelo consumo de produtos petrolíferos para fins energéticos, contribuindo de forma decisiva para a dependência energética do País.

Para reduzir esta dependência do exterior, importa reduzir, a nível nacional, a utilização de veículos rodoviários, quer por recurso aos transportes públicos quer à mobilidade suave, de modo a aumentar a eficiência energética no sector. Mas também importa promover a adoção de veículos mais eficientes e que utilizem combustíveis com melhor desempenho ambiental. Neste contexto, destacam-se os veículos movidos a gás natural e os veículos elétricos.

Como consequência do tipo de energia utilizada, o sector dos transportes é também responsável por uma grande parte da emissão de gases com efeito de estufa (GEE), exercendo fortes pressões sobre o ambiente e bem-estar humano.

Esta ficha temática diz respeito a Portugal continental, Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e será atualizada anualmente.

Objetivos e Metas: 
  • O Decreto-Lei n.º 141/2010 (alterado pelo Decreto-Lei n.º 39/2013 que transpôs parcialmente a Diretiva 2009/28/CE do Parlamento Europeu e do Conselho) fixa a meta de incorporação de 10% de fontes de energia renovável no consumo final de energia, no sector dos transportes, até 2020;
  • O Decreto-Lei n.º 117/2010 define os limites de incorporação obrigatória de biocombustíveis. Prevê a obrigação de incorporação de 5,5% de biocombustíveis substitutos de gasóleo no consumo final de energia, no sector dos transportes terrestres, em 2014. A obrigação de incorporação de biocombustíveis substitutos de gasolina é obrigatória a partir de 2015 e corresponde a 2,5%, em teor energético;
  • O Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética aponta uma meta de poupança de energia global de 8,2% até 2016, antevendo que 23% da poupança conseguida se deva ao sector dos transportes;
  • O Roteiro para a Neutralidade Carbónica estabelece como objetivo atingir a neutralidade carbónica até 2050.
Análise da evolução:

O sector dos transportes continua a ser um dos sectores de atividade com maior consumo de energia: 37,2% do consumo final de energia primária em 2017, seguindo-se o sector da indústria (28,8%), o sector doméstico (16,4%), o sector dos serviços (12,2%), o sector da agricultura e pescas (2,9%) e o sector da construção e obras públicas (2,5%).

Por outro lado, o sector continua muito dependente dos combustíveis produzidos a partir do petróleo, sendo, assim, particularmente vulnerável à oscilação dos preços internacionais. Em 2016, 75,5% do consumo final de petróleo ocorreu no sector dos transportes. Nesse ano, o consumo de gasóleo neste setor foi de 4 307 ktep, representando 88% do consumo total deste produto petrolífero, e o consumo de gasolina aproximadamente 1 106 ktep.

Em 2017, o consumo de combustíveis nos transportes rodoviários foi de 5,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), mais 1,2% do que em 2016. O gasóleo, principal combustível consumido (79,0%), aumentou 2,3% em 2017, ao contrário da gasolina que diminuiu 2,9%. 

Ainda em 2017, o consumo de energia elétrica nos transportes ferroviários pesados aumentou 3,9%, fixando-se em 307,5 milhões de kWh. Em oposição, o consumo de gasóleo, com um registo de 16,8 milhões de litros, apresentou uma diminuição de 2,0%.

No mesmo ano e para a ferrovia ligeira, apenas o metro Sul do Tejo apresentou uma redução no consumo de energia elétrica (-0,5%), tendo os restantes sistemas de metropolitano registado aumentos (4,8% em Lisboa e 0,6% no Porto). No caso do metropolitano de Lisboa, o aumento observado deveu-se ao aumento da utilização de energia na tração (+5,1%). Já no caso do metro Sul do Tejo, a diminuição do consumo de energia elétrica resultou de uma menor utilização de energia para outros fins que não o transporte (-5,2%). No mesmo ano, as companhias aéreas portuguesas consumiram na operação das suas aeronaves um total de 1,26 milhões de toneladas de combustível, um aumento de 12,2% face ao registado em 2016.

Os dados apresentados demonstram uma elevada dependência dos combustíveis fósseis. Esforços no sentido de diminuir essa dependência terão, a prazo, o efeito benéfico de reduzir significativamente as emissões de poluentes atmosféricos, designadamente, as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), um objetivo estratégico inscrito em vários instrumentos de política atualmente em vigor sobre esta matéria.

Última atualização: 
Segunda, 1 Abril, 2019