Intensidade energética e carbónica da economia

A ficha temática “Intensidade energética e carbónica da economia” analisa a evolução do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa face ao crescimento económico, em Portugal e na União Europeia. Esta ficha afere também a emissão dos gases gerados pela produção e consumo de energia, relativamente ao seu consumo interno.
Descrição: 

A intensidade energética de uma economia consiste na razão entre o consumo interno de energia e o seu Produto Interno Bruto (PIB). Historicamente, o crescimento económico implica um aumento do consumo de energia, elevando as pressões sobre o ambiente.

Este indicador permite reconhecer a desejada dissociação (decoupling) entre o consumo de energia e o crescimento económico. A dissociação relativa verifica-se quando o aumento do consumo de energia é mais lento do que o crescimento económico. Se o consumo de energia estabilizar ou diminuir, enquanto o PIB continua a crescer, temos a dissociação absoluta entre estas duas variáveis, associada à natural redução dos impactes negativos sobre o ambiente.

Existem evidências de que as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) são responsáveis pelo aumento da temperatura, resultando em alterações climáticas de origem antropogénica. Tendo a União Europeia (UE) assumido o compromisso de reduzir as emissões de GEE, a intensidade carbónica da economia analisa a dissociação entre a emissão de GEE e o crescimento económico. Para alcançar esta dissociação contribuem essencialmente a eficiência no sector energético e a substituição de combustíveis de origem fóssil pelos provenientes de fontes renováveis.

A utilização de fontes de energia renovável contribui para uma diminuição dos GEE provenientes da produção e consumo de energia, face ao consumo interno de energia.

Esta ficha temática diz respeito a Portugal e será atualizada anualmente.

Objetivos e Metas: 
  • No âmbito do quadro de ação da UE relativo ao clima e à energia para 2030, foi definida, em outubro de 2014, a meta não vinculativa de redução do consumo de energia em pelo menos 27% em relação às projeções do consumo futuro de energia com base nos critérios atuais.
  • Em 2016, a Comissão Europeia apresentou o Pacote Legislativo “Energia Limpa para todos os Europeus” com o objetivo de promover a transição energética na década 2021-2030, e aprovou, no Regulamento UE 2018/1999, metas que visam alcançar, em 2030, 32% de quota de energia proveniente de fontes renováveis no consumo final bruto, 32,5% de redução do consumo de energia, 40% de redução das emissões de gases com efeito de estufa relativamente aos níveis de 1990, e 15% de interligações elétricas;
  • Em sequência, Portugal elaborou o Plano Nacional Energia e Clima para o horizonte 2030 (PNEC 2030), o principal instrumento nacional de política energética e climática para a década 2021-2030. O PNEC 2030 estabelece as seguintes metas nacionais para 2030: reduzir entre 45 % e 55 % as emissões de gases com efeito de estufa, por referência às emissões registadas no ano de 2005; incorporar 47 % de energia de fontes renováveis no consumo final bruto de energia; atingir uma redução de 35 % do consumo de energia primária com vista a uma melhor eficiência energética; atingir 15 % de interligações de eletricidade;
  • No seu Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, Portugal assumiu o compromisso de assegurar a neutralidade das suas emissões até ao final da primeira metade do século.
Análise da evolução:

De acordo com os dados provisórios disponibilizados pela Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), constata-se que, em 2019, a intensidade energética da economia em energia primária situou-se em  110,7 tep/M€'2016 (-2,2% face a 2018) e a intensidade energética da economia em energia final foi de 82 tep/M€'2016 (-1,1% do que em 2018). Já a intensidade energética da economia em eletricidade situou-se em  240,5 MWh/M€'2016 (-2,4% face a 2018).

Em termos de intensidade energética por sector de atividade, em 2019 o sector da Indústria registou uma intensidade energética de 125 tep/M€'2016 +0,7% face a 2018), o sector da Agricultura e Pescas  119,5 tep/M€'2016 (-0,9% face a 2018), o sector dos Transportes 29,6 tep/M€'2016 (o mesmo que em 2018), o sector Doméstico 22,8 tep/M€'2016 (-3,1% face a 2018) enquanto o sector dos Serviços registou uma intensidade energética de 17,7 tep/M€'2016 (-2,2% face a 2018).

Salienta-se que estes dados são calculados pela DGEG utilizando o PIB a preços de 2016, enquanto os dados Eurostat, abaixo representados graficamente, utilizam o PIB a preços de 2010, não sendo comparáveis entre si.

Última atualização: 
Sábado, 20 Novembro, 2021