O ano de 2025 em Portugal continental classificou-se como muito quente em relação à temperatura do ar e muito chuvoso em relação à precipitação.
A precipitação desempenha um papel vital nos setores da agricultura, abastecimento público de água, produção de energia, indústria, turismo e ecossistemas naturais. Em conjunto com a temperatura, é um dos indicadores mais importantes para caracterizar o clima de uma dada região.
A temperatura média anual do ar à superfície da terra é um indicador essencial para a avaliação do estado do ambiente, para além de ser um dos que é monitorizado há mais anos, é também o principal indicador para a monitorização das alterações climáticas. O aumento da temperatura, em grande parte devido à emissão de gases com efeito de estufa (GEE), influencia, entre outros elementos, o nível médio do mar, a intensidade e frequência das cheias e das secas, a conservação das espécies e dos habitats, o rendimento das culturas agrícolas e as doenças infeciosas.
Conforme convencionado pela Organização Meteorológica Mundial, o clima é caracterizado pelos valores médios dos vários elementos climáticos num período de 30 anos, um número de anos suficientemente longo para representar o valor médio daquele parâmetro num local considerado.
O aumento da temperatura média do ar global à superfície observado durante os últimos 50 anos tem vindo a constituir uma das principais motivações dos estudos sobre alterações climáticas.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, desde que se iniciaram os registos à escala planetária, o ano de 2025 destacou-se como o terceiro ano mais quente, sendo 2024 e 2023, respetivamente, o primeiro e o segundo mais quentes, no que se refere à temperatura média do ar global à superfície; de salientar que, a nível global, janeiro de 2025 foi o janeiro mais quente de que há registo.
Em Portugal continental, a análise dos dados observados indica que, à semelhança da maioria dos demais países, à escala planetária, o clima português sofreu, ao longo do século XX, uma evolução caracterizada por dois períodos de relativo aquecimento, intercalados por um período de relativo arrefecimento. No entanto, desde a década de 70, a temperatura média anual tem subido em todas as regiões de Portugal a uma taxa de cerca de 0,3 °C/década. Do ponto de vista dos extremos de temperatura, verifica-se uma tendência para a ocorrência de mais ondas de calor e com maior duração, assim como mais noites e dias muito quentes (temperatura mínima do ar superior ao percentil 90 e temperatura máxima do ar superior a 35 °C, respetivamente) e menos dias e noites frias (temperatura máxima e temperatura mínima inferiores ao percentil 10).
A ocorrência de ondas de calor e de frio tem impactes significativos em várias atividades socioeconómicas, tais como a saúde, agricultura, incêndios rurais, produção e consumo de energia[1].
As ondas de calor podem ocorrer em qualquer altura do ano, no entanto, são mais notórias e sentidas pelos seus impactes quando ocorrem nos meses de verão (junho, julho e agosto). Por outro lado, a ocorrência de ondas de frio é um fenómeno que, podendo verificar-se em qualquer época do ano, é mais notório e por vezes com impactes adversos (por exemplo, na saúde) nos meses de inverno.
Apesar de relativamente comuns no clima português de tipo mediterrânico, sobretudo no verão, as ondas de calor, quando associadas a circulações anticiclónicas de sul e de este, mais intensas e com maior duração, podem ser responsáveis por uma mortalidade acentuada nos grupos de risco mais elevado.
De notar, ainda, que uma onda de calor com temperaturas máximas ou gradientes de temperatura superiores aos previstos no dimensionamento das construções pode causar situações de insegurança, por deficiente comportamento dos materiais, dos elementos estruturais ou dos seus apoios.
|
Conceitos «Onda de calor» ou «HWDI – Heat Wave Duration Index», ocorrência de, pelo menos, seis dias com valores da temperatura do ar muito altas, isto é, com temperaturas de 5˚C ou mais, acima dos valores médios de referência. «Onda de frio» ou «CWDI – Cold Wave Duration Index», sequência de, pelo menos, seis dias com valores da temperatura do ar muito baixas, isto é, com temperaturas 5˚C ou mais abaixo dos valores médios de referência. [Fonte: WCDMP-No.47, WMO-TD No. 1071] |
Principais instrumentos de política

Contribuição para os ODS




[1] SIAM (2002), Climate Change in Portugal: Scenarios, Impacts and Adaptation Measures. F.D. Santos, K. Forbes e R. Moita (Eds), Gradiva, Lisboa, 454pp.
Precipitação e Temperatura

O ano de 2025 em Portugal continental classificou-se como muito quente em relação à temperatura do ar e muito chuvoso em relação à precipitação.
Em 2025, a precipitação média anual em Portugal continental, 1 064,8 mm, foi superior ao valor normal 1991-2020, com uma anomalia de mais 245,1 mm. Desde 2014 que não se verificava um ano tão chuvoso em Portugal continental.
Durante o ano de 2025, cinco meses registaram valores de precipitação acima do valor normal 1991-2020 e sete meses registaram valores abaixo da média. Destacam-se a anomalia positiva do mês de março (muito chuvoso), mais do dobro da média, e a anomalia negativa do mês de agosto (muito seco).
De salientar, ainda no ano de 2025, em relação à precipitação:
O valor médio da temperatura média anual, em 2025, 16,47 °C, foi 0,81 °C acima da normal climatológica 1991-2020, sendo o quinto ano mais quente desde 1931. Dos 30 anos mais quentes registados em Portugal continental, 22 ocorreram depois de 1990 e 16 depois de 2000. Os últimos quatro anos estão entre os cincos mais quentes de sempre em Portugal continental ((2022 (1.º), 2023 (2.º), 1997 (3.º), 2024 (4.º) e 2025 (5.º)).
O valor médio da temperatura máxima anual do ar (22,12 °C) foi o quarto valor mais alto desde 1931 (o mais alto foi registado em 2017, 22,82 °C), mais 0,98 °C em relação à normal 1991-2020. Nos últimos 10 anos, com exceção de 2018, registaram-se sempre valores de temperatura máxima anual acima da média.
O valor médio da temperatura mínima anual do ar, 10,86 °C, foi o sexto valor mais alto desde 1931 (mais alto em 1997, 11,26 °C), mais 0,67 °C em relação à normal.
Durante o ano de 2025, destacam-se os valores médios de temperatura máxima do ar acima do normal, exceto nos meses de março e dezembro. Os maiores desvios positivos (superiores a 2,5 °C) registaram-se nos meses de junho e outubro (o segundo mais quente desde 1931).
Os valores médios mensais da temperatura mínima do ar também foram quase sempre superiores à média (exceto em maio e setembro), destacando-se as anomalias positivas (superiores a 1,5 °C) nos meses de janeiro e outubro (sexto valor mais elevado desde 1931).
Anomalias positivas consistentes, tanto mínimas como máximas, ao longo dos três meses de verão contribuíram para o verão mais quente dos últimos 95 anos.
De salientar, ainda no ano de 2025, em relação à temperatura:
Ondas de calor
Desde a década de 1940, período em que existe informação meteorológica diária num maior número de estações, têm-se verificado ondas de calor de extensão espácio-temporal variável.
Nos últimos 30 anos têm-se observado, em Portugal continental, mais eventos de ondas de calor extremos no período do verão. Esta situação tem sido notória em todo o território, no entanto, são as regiões do interior Norte e Centro (distritos de Bragança, Vila Real, Viseu e Guarda) e o Alentejo (distritos de Setúbal, Évora e Beja) as mais afetadas.
Os episódios mais severos de ondas de calor (maior número de ondas de calor e maior número de dias em onda de calor) verificaram-se depois de 1990 na região interior Norte e Centro, e depois de 2000 na região Sul. Os verões com maior percentagem de estações meteorológicas que registaram ondas de calor no verão desde 2000 foram: 2013 (89%), 2006 (85%), 2003 (76%), 2018 (74%) e 2022 (74%).
O maior número total de dias em onda de calor[2], 918 dias, ocorreu no verão de 2022, com a contribuição significativa da região Nordeste. Nesta região, em algumas estações verificaram-se quatro ondas de calor, a que correspondeu um total de dias em onda de calor superior a 40 (Bragança, Mirandela e Carrazeda de Ansiães, com 44, 42 e 41 dias, respetivamente). Destacam-se, ainda, os anos de 2003 e 2006 com mais dias em onda de calor (687 e 667 dias, respetivamente).
[2] Somatório de dias em onda de calor, registados nas estações meteorológicas do IPMA, no período do verão (1 de junho a 31 de agosto).
Durante o ano de 2025 foram registadas as seguintes seis ondas de calor: uma na primavera, três no verão (duas no mês de junho) e duas no outono:



Ondas de frio
No ano de 2025, não ocorreram ondas de frio em Portugal continental.