Precipitação e temperatura

  • O ano de 2025 foi o terceiro mais chuvoso desde 2000.
  • Há 11 anos que não havia um ano tão chuvoso em Portugal continental.
  • 57% dos extremos de precipitação foram registados nos meses de janeiro e novembro.
  • 2025 foi o quinto ano mais quente desde 1931, com uma temperatura média do ar superior em 0,81 °C à normal 1991-2020 (15,66 °C).
  • 2025 registou a quinta temperatura máxima do ar mais alta, e a sexta temperatura mínima do ar mais alta, desde 1931.
  • Registaram-se 60 novos extremos da temperatura máxima do ar e 42 da temperatura mínima do ar.
  • Em 2025, verificaram-se seis ondas de calor em Portugal continental: uma na primavera, três no verão e duas no outono.
  • O número total de dias em onda de calor registados no Continente, em 2025, foi de 951 dias, o que corresponde ao valor mais elevado desde 1941 (segundo maior em 2022, 929 dias em onda de calor).
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A precipitação desempenha um papel vital nos setores da agricultura, abastecimento público de água, produção de energia, indústria, turismo e ecossistemas naturais. Em conjunto com a temperatura, é um dos indicadores mais importantes para caracterizar o clima de uma dada região.

A temperatura média anual do ar à superfície da terra é um indicador essencial para a avaliação do estado do ambiente, para além de ser um dos que é monitorizado há mais anos, é também o principal indicador para a monitorização das alterações climáticas. O aumento da temperatura, em grande parte devido à emissão de gases com efeito de estufa (GEE), influencia, entre outros elementos, o nível médio do mar, a intensidade e frequência das cheias e das secas, a conservação das espécies e dos habitats, o rendimento das culturas agrícolas e as doenças infeciosas.

Conforme convencionado pela Organização Meteorológica Mundial, o clima é caracterizado pelos valores médios dos vários elementos climáticos num período de 30 anos, um número de anos suficientemente longo para representar o valor médio daquele parâmetro num local considerado.

O aumento da temperatura média do ar global à superfície observado durante os últimos 50 anos tem vindo a constituir uma das principais motivações dos estudos sobre alterações climáticas.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, desde que se iniciaram os registos à escala planetária, o ano de 2025 destacou-se como o terceiro ano mais quente, sendo 2024 e 2023, respetivamente, o primeiro e o segundo mais quentes, no que se refere à temperatura média do ar global à superfície; de salientar que, a nível global, janeiro de 2025 foi o janeiro mais quente de que há registo.

Em Portugal continental, a análise dos dados observados indica que, à semelhança da maioria dos demais países, à escala planetária, o clima português sofreu, ao longo do século XX, uma evolução caracterizada por dois períodos de relativo aquecimento, intercalados por um período de relativo arrefecimento. No entanto, desde a década de 70, a temperatura média anual tem subido em todas as regiões de Portugal a uma taxa de cerca de 0,3 °C/década. Do ponto de vista dos extremos de temperatura, verifica-se uma tendência para a ocorrência de mais ondas de calor e com maior duração, assim como mais noites e dias muito quentes (temperatura mínima do ar superior ao percentil 90 e temperatura máxima do ar superior a 35 °C, respetivamente) e menos dias e noites frias (temperatura máxima e temperatura mínima inferiores ao percentil 10).

A ocorrência de ondas de calor e de frio tem impactes significativos em várias atividades socioeconómicas, tais como a saúde, agricultura, incêndios rurais, produção e consumo de energia[1].

As ondas de calor podem ocorrer em qualquer altura do ano, no entanto, são mais notórias e sentidas pelos seus impactes quando ocorrem nos meses de verão (junho, julho e agosto). Por outro lado, a ocorrência de ondas de frio é um fenómeno que, podendo verificar-se em qualquer época do ano, é mais notório e por vezes com impactes adversos (por exemplo, na saúde) nos meses de inverno.

Apesar de relativamente comuns no clima português de tipo mediterrânico, sobretudo no verão, as ondas de calor, quando associadas a circulações anticiclónicas de sul e de este, mais intensas e com maior duração, podem ser responsáveis por uma mortalidade acentuada nos grupos de risco mais elevado.

De notar, ainda, que uma onda de calor com temperaturas máximas ou gradientes de temperatura superiores aos previstos no dimensionamento das construções pode causar situações de insegurança, por deficiente comportamento dos materiais, dos elementos estruturais ou dos seus apoios.

 

Conceitos

«Onda de calor» ou «HWDI – Heat Wave Duration Index», ocorrência de, pelo menos, seis dias com valores da temperatura do ar muito altas, isto é, com temperaturas de 5˚C ou mais, acima dos valores médios de referência.

«Onda de frio» ou «CWDI – Cold Wave Duration Index», sequência de, pelo menos, seis dias com valores da temperatura do ar muito baixas, isto é, com temperaturas 5˚C ou mais abaixo dos valores médios de referência.

[Fonte: WCDMP-No.47, WMO-TD No. 1071]

 

Principais instrumentos de política

 

Contribuição para os ODS

 


[1] SIAM (2002), Climate Change in Portugal: Scenarios, Impacts and Adaptation Measures. F.D. Santos, K. Forbes e R. Moita (Eds), Gradiva, Lisboa, 454pp.

 

Objetivos: 
  • Analisar a evolução anual da temperatura e precipitação em Portugal continental.
  • Avaliar a ocorrência de períodos de ondas de calor e de frio, sua duração e intensidade em Portugal continental.
  • No âmbito da Política climática externa, a Lei de Bases do Clima defende o reforço, antecipação e cumprimento das metas de redução de emissões de GEE, de modo suficiente a não ultrapassar o limite de 1,5 ºC de aquecimento global, face aos níveis pré-industriais.
  • Em fevereiro de 2025, a Agência Europeia do Ambiente publicou o Relatório de avaliação e balanço dos progressos realizados em relação aos objetivos estabelecidos no âmbito do 8.º Programa de Ação em matéria de Ambiente (8.º PAA). Este Programa estabelece o quadro da política ambiental da UE até 2030, com a definição de objetivos e indicadores-chave correspondentes a domínios que abrangem a neutralidade climática, uma economia eficiente em termos de recursos, a inversão da perda da biodiversidade e a redução da poluição. Nas conclusões identificam-se vários indicadores com metas que evidenciam progressos limitados e que poderão ficar aquém das metas fixadas para 2030. O relatório recomenda o reforço de incentivos ambientais, da base do conhecimento ambiental, do financiamento e da integração da política ambiental noutras políticas.
Análise da evolução:

Precipitação e Temperatura

Última atualização: 
Quinta, 25 Junho, 2026