Produção e consumo de energia

A ficha temática “Produção e consumo de energia” analisa a evolução da produção e consumo de energia (balanço energético), do consumo de energia primária por fonte de energia utilizada e da dependência energética de Portugal.
Descrição: 

As relações existentes entre o ambiente e o setor energético são particularmente relevantes. A produção e o consumo de energia são responsáveis, direta e indiretamente, por alguns dos principais impactes negativos da atividade humana sobre o ambiente. Entre estes sobressaem os problemas associados às emissões para a atmosfera de gases com efeito de estufa, bem como de outros poluentes, como o dióxido de carbono, o dióxido de enxofre e os óxidos de azoto.

Apesar dos esforços realizados na exploração do grande potencial associado às energias renováveis, e das assinaláveis melhorias que daí decorreram, Portugal é ainda largamente dependente do exterior no respeitante à produção de energia. Sendo um país de escassos recursos energéticos de origem fóssil, a fatura decorrente da sua importação tem ainda um peso substancial, económica e ambientalmente, que importa reduzir cada vez mais.

Os transportes e a indústria são, juntamente com o setor electroprodutor, os sectores de atividade com maior peso no consumo final de energia, sendo por isso os maiores contribuintes para pressões ambientais como as alterações climáticas, na base do aquecimento global.

Igualmente central para a o alívio das pressões ambientais, são as políticas e medidas destinadas não só a incrementar a produção de energia a partir de fontes renováveis (reduzindo o recurso a energia de origem fóssil), mas também incrementar a eficiência energética, entendida como a otimização da utilização de energia – trata-se de obter, para um mesmo nível de desempenho ou conforto, um consumo inferior de energia.

Medidas tendentes a garantir o mais elevado nível de eficiência energética possível, devem estar presentes nas fases de produção, de transformação, de transporte, de distribuição e de utilização da energia. A utilização racional da energia depende de alterações no comportamento dos consumidores (papel importante da literacia energética), que deverão ser complementadas com tecnologias e/ou processos que se traduzam numa redução de consumos.

Esta ficha temática diz respeito a Portugal Continental, Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e será atualizada anualmente.

Objetivos e Metas: 
  • Para 2016, o Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética no período 2013-2016 (PNAEE) estimou uma redução do consumo energético de aproximadamente 8,2% relativamente à média do consumo final de energia verificada no período entre 2001 e 2005, o que se aproxima da meta definida pela UE de 9% de poupança de energia até 2016 (Diretiva 2006/32/CE);
  • Para 2020, integrando as preocupações relativas à redução de energia primária constantes da Diretiva 2012/27/UE, que revogou a Diretiva 2006/32/CE, o PNAEE fixou o objetivo geral de redução de 25% do consumo de energia primária e um objetivo específico para a Administração Pública de redução de 30% relativamente à média do consumo verificada no período entre 2001 e 2005;
  • Em 2016, a Comissão Europeia apresentou o Pacote Legislativo “Energia Limpa para todos os Europeus” com o objetivo de promover a transição energética na década 2021-2030, e aprovou, no Regulamento UE 2018/1999, metas que visam alcançar, em 2030, 32% de quota de energia proveniente de fontes renováveis no consumo final bruto, 32,5% de redução do consumo de energia, 40% de redução das emissões de gases com efeito de estufa relativamente aos níveis de 1990, e 15% de interligações elétricas;
  • Em sequência, Portugal elaborou o Plano Nacional Integrado de Energia e Clima para o horizonte 2030 (PNEC 2030), o principal instrumento nacional de política energética e climática para a década 2021-2030. O PNEC 2030 estabelece as seguintes metas nacionais para 2030: reduzir entre 45 % e 55 % as emissões de gases com efeito de estufa, por referência às emissões registadas no ano de 2005; incorporar 47 % de energia de fontes renováveis no consumo final bruto de energia; atingir uma redução de 35 % do consumo de energia primária com vista a uma melhor eficiência energética; atingir 15 % de interligações de eletricidade.
Análise da evolução:

No contexto da pandemia Covid-19, e das restrições por ela impostas, o ano de 2020 foi atípico em termos de consumo de energia (primária e final), verificando-se uma redução significativa, em particular para o consumo de energia final, devido essencialmente à redução das deslocações/mobilidade, sendo o setor dos transportes aquele com maior impacte na redução dos consumos de energia final (transporte rodoviário e aéreo).

Última atualização: 
Segunda, 8 Novembro, 2021