A produção aquícola total, em 2022, registou um aumento de 4,8% relativamente a 2021, fixando-se nas 18 822 toneladas, tendo as vendas gerado uma receita de 159,8 milhões de euros, um valor inferior em 8,2% comparativamente com o ano anterior.
Produção em aquicultura
- A produção aquícola total em 2022 registou um aumento de 4,8% relativamente a 2021, fixando-se nas 18 822 toneladas, tendo as vendas gerado uma receita de 159,75 milhões de euros, o que representa um decréscimo de 8,2%, comparativamente com o ano anterior.
- Analisada a produção nas águas de transição e marinhas, que representa 97,8% da produção aquícola total, constata-se que a amêijoa (23,1%), a dourada (17,8%) e o mexilhão (16,9%) foram as principais espécies produzidas em 2022, seguindo-se a ostra (13,1%), o pregado (11,0%) e o robalo (5,3%), e, com menor expressão, o linguado (1,1%) e o berbigão (0,7%).
- No final de 2022 existiam 1 290 estabelecimentos de aquicultura licenciados para águas interiores, marinhas e de transição (mais 38 que em 2021).
- Observando os regimes de exploração por tipo de água, constata-se que: i) em águas interiores, a produção aquícola manteve-se exclusivamente intensiva, em linha com a tendência dos últimos anos; e ii) em águas marinhas e de transição, o regime extensivo manteve-se como regime predominante, seguindo-se o intensivo e, por último, o semi-intensivo.
A aquicultura desempenha um papel cada vez mais importante na produção mundial de alimentos de origem aquática, devido à sobre-exploração de grande parte dos recursos naturais. Está a afirmar-se globalmente como um importante reforço às formas tradicionais de abastecimento de pescado, sendo de salientar que a produção dela proveniente ultrapassa mais de metade de todo o pescado consumido no mundo, razão pela qual o setor é hoje considerado estratégico.
A prática da aquicultura assenta em três regimes de produção –extensivo, semi-intensivo e intensivo:
- O regime de produção extensivo faz uso exclusivo das condições naturais disponíveis. Neste regime, a espécie a cultivar é capturada no meio natural, ou tem origem em unidades de reprodução. A produção efetua-se com recurso a alimentação exclusivamente natural;
- No regime de produção semi-intensivo recorre-se à reprodução artificial para a obtenção de ovos e juvenis, e durante a fase de engorda efetuam-se amostragens e calibragens frequentes para otimizar o crescimento e aumentar o rendimento, recorrendo a alimento natural e a suplementos alimentares artificiais;
- No sistema intensivo todos os parâmetros de produção encontram-se sob observação permanente. Para aumentar o rendimento recorre-se a calibragens e amostragens sucessivas, controlando-se a reprodução e o crescimento. Neste regime a espécie é alimentada recorrendo exclusivamente a alimento artificial.
De acordo com o Plano Estratégico para a Aquicultura Portuguesa 2021-2030, apesar da relativa abundância de recursos hídricos em Portugal, especialmente de águas marinhas ou salobras, as taxas de crescimento do setor estão limitadas pelas condições técnicas e/ou naturais de utilização dos recursos existentes, pelos espaços disponíveis de cultivo e pela disponibilidade de financiamento. Este crescimento é também afetado pelo aumento estimado dos custos, nomeadamente da energia e das rações. Contudo, o desenvolvimento tecnológico poderá possibilitar, por um lado, o recurso a espaços e a recursos hídricos até agora por explorar ou subaproveitados e, por outro, proporcionar ganhos de eficiência na utilização dos consumos intermédios. A aposta em novas espécies aquícolas, como as algas, que podem surgir dos resultados da investigação e da experimentação, continuará a ser incentivada, permitindo uma maior oferta e a abertura de novos nichos de mercado. A produção aquícola é, pois, indispensável como contributo, não só para satisfazer uma procura crescente, como também para compensar a previsível redução das capturas. O objetivo estratégico nacional para o período de 2021-2030 visa aumentar e diversificar a oferta de produtos da aquicultura nacional, tendo por base princípios de sustentabilidade ambiental, coesão social, bem-estar animal, qualidade e segurança alimentar.
Conceitos «Aquicultura», a criação ou cultura de organismos aquáticos, recorrendo a técnicas concebidas para aumentar, para além das capacidades naturais do meio, a produção dos referidos organismos. [Fonte: Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos] |
Contribuição para os ODS
- A Estratégia Nacional para o Mar (2021-2030) reconhece a aquicultura como uma importante alternativa às formas tradicionais de abastecimento de pescado, sendo por isso fundamental promover o desenvolvimento sustentável da aquicultura, em áreas previstas no Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional e no Plano para a Aquicultura em Águas de Transição, fomentando elevados padrões de qualidade ambiental, quer nas estruturas produtivas em mar aberto, quer nas unidades de produção situadas em águas de transição ou onshore.
- Perspetiva-se, como objetivo quantificado para o horizonte temporal 2021-2030, aumentar a produção aquícola nacional para 25 mil toneladas.
Instrumentos de política relevantes
A União Europeia (UE) não tem acompanhado a tendência mundial de crescimento da produção aquícola, importando mais de 70% dos produtos do mar que consome. A aquicultura da UE representa menos de 2% da produção aquícola mundial, permanecendo altamente concentrada, tanto a nível dos Estados-membros como das espécies criadas, revelando por isso um potencial significativo de diversificação.
Em 2022, a produção aquícola nacional correspondeu a 11,3% das descargas de pescado fresco evidenciando que, até à data, a aquicultura não tem sido considerada pelo consumidor nacional como uma alternativa ao pescado proveniente da atividade da pesca. A tendência global aponta para um aumento da importância da aquicultura, tanto por razões de sustentabilidade como por segurança alimentar.
Evolução da produção aquícola, por espécies
Evolução do valor da produção aquícola, por espécies
Composição da produção aquícola em águas interiores e oceânicas, em 2022
A produção em águas de transição e marinhas continua a ser preponderante, correspondendo a cerca de 97,8% da produção total. A produção de peixe em águas de transição e marinhas aumentou 4,4% face a 2021, representando 43,9% da produção total (44,1% em 2021). Ainda que a estrutura de produção dos peixes marinhos se tenha mantido estável relativamente ao ano anterior, verificaram-se decréscimos em espécies como o pregado (menos 13,1% do que em 2021).
Analisando a produção em águas de transição e marinhas, constata-se que a amêijoa (23,1%) e a dourada (17,8%) foram as principais espécies produzidas em 2022, seguindo-se o mexilhão (16,9%), as ostras (13,1%), o pregado (11,0%) e o robalo (7,9%). Com menos expressão, aparecem o berbigão (0,7%) e o linguado (1,1%).
A produção de moluscos em aquicultura aumentou 11,3%, face ao ano anterior, representando 53,9% da produção aquícola total (50,8% em 2021). O ano de 2022 viu crescer o volume das principais espécies, com as amêijoas a atingirem as 4 346 toneladas (mais 21,2% do que em 2021), tendo reforçado a sua posição na estrutura de produção dos moluscos (mais 3,5% do que em 2021). Seguiram-se os mexilhões, com 3 189 toneladas (mais 4,8% face a 2021) e, em terceiro lugar, as ostras com 2 465 toneladas (mais 7,5% face ao ano anterior).
Estabelecimentos de aquicultura licenciados, em 2022
No final de 2022 existiam 1 290 estabelecimentos licenciados em aquicultura para águas interiores, marinhas e de transição (mais 38 unidades que em 2021). Em termos de área total licenciada, registou-se um aumento de 9,0%, que resultou num acréscimo da dimensão média dos estabelecimentos em cerca de 6%, atingindo 2,54 hectares por estabelecimento aquícola (2,40 hectares em 2021).
Em 2022, a estrutura por tipo de estabelecimento não apresentou grandes alterações face ao ano anterior. Cerca de 89,2% das unidades correspondem a viveiros para produção de moluscos bivalves (89,7% em 2021).
Em 2022, os tanques para a produção de peixe correspondiam a 7,6%, e as estruturas flutuantes (maioritariamente destinadas à produção de moluscos bivalves e dourada) a 2,4% do total dos estabelecimentos licenciados, o que corresponde a um decréscimo de, respetivamente, 0,3% e 0,2% face a 2021.
Evolução da produção de aquicultura, por tipo de regime
Observando os regimes de exploração por tipo de água, constata-se que a produção aquícola em águas interiores se manteve exclusivamente intensiva, em linha com a tendência dos últimos anos. Relativamente à aquicultura praticada em águas marinhas e de transição, o regime extensivo manteve-se como o regime predominante, tendo sido observado um crescimento de produção no regime semi-intensivo e um ligeiro decréscimo no regime intensivo.
Com base na análise efetuada, recomenda-se:
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- Dados respeitantes a: Portugal continental e Região Autónoma da Madeira.
- Periodicidade de atualização: anual.
Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos – Aquicultura
Instituto Nacional de Estatística – Estatísticas da Pesca 2023