Troços de linha de costa em situação de erosão (período 1958-2010)

PT
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APA, 2019

Os dados reportados a 2010 permitiram identificar que a extensão de linha de costa com situações críticas de erosão de litoral baixo e arenoso e baixo rochoso suportado por dunas era de 180 km, com taxas de recuo de magnitude variável. As taxas médias de recuo no período de 1958-2010 variaram entre os 0,5 m/ano e 9,0 m/ano (Relatório do Grupo de Trabalho do Litoral, 2014; Lira et al, 2016), representando, na sua totalidade, uma perda de território nacional da ordem de 12 km2 (APA, 2015).

Nesse período, a magnitude do processo erosivo assumiu maior expressão nas células costeiras dos troços Espinho – Torreira, praia da Barra – Mira, Figueira da Foz – Leirosa e Costa da Caparica, com recuo médio da linha de costa compreendido entre os 200m e os 300m (Relatório do Grupo de Trabalho dos Sedimentos, 2015). A identificação das células foi efetuada pelo Grupo de Trabalho do Litoral, em 2014, com base nas caraterísticas distintas em termos geomorfológicos e de dinâmica sedimentar da faixa costeira de Portugal Continental (Relatório do Grupo de Trabalho do Litoral, 2014).

A comparação da linha de costa de 2010 com a de 2018 (no âmbito do Programa COSMO) mostra que a extensão/comprimento da linha de costa afetada por erosão se mantém relativamente inalterada, i.e. não se assistiu ao desencadear do processo erosivo em novas áreas. Não obstante, mantém-se a prossecução do processo erosivo para o interior em algumas das áreas previamente identificadas em 2010, tendo-se registado até 2018 uma perda de território da ordem de 1 km2 (100 ha).

Relativamente à posição da linha de costa, a análise preliminar efetuada aos dados obtidos pelo COSMO sugere uma alteração da tendência evolutiva em determinados sectores costeiros entre 2010-2018 relativamente a 1958-2010, nomeadamente:

  • Entre o Castelo do Neiva e Esposende – agravamento das taxas de erosão em cerca de 2x;
  • Entre Ofir e a Estela – agravamento das taxas de erosão em cerca de 2x;
  • Entre Cortegaça e Furadouro - agravamento das taxas de erosão em cerca de 2x;
  • Entre Furadouro e Torrão do Lameiro – ligeira diminuição das taxas de erosão na totalidade da extensão do troço, mas aumento de cerca 3x nos 2.5 km para sul);
  • Entre a Costa Nova e Mira – diminuição das taxas de erosão em cerca de 1/3;
  • Entre a Cova-Gala e Lavos - agravamento das taxas de erosão em cerca de 3x;
  • Costa da Caparica – estabilidade relativa;
  • Praia de Faro – estabilidade relativa.

As diferenças observadas na tendência evolutiva de alguns setores da linha de costa entre 2010-2018 dependem de um conjunto alargado de fatores interativos e retroativos, designadamente o forçamento oceanográfico, o contexto geomorfológico e a intervenção antrópica. Em alguns dos setores, a informação atualmente disponível não é ainda suficiente para esclarecer a totalidade das relações causa-efeito, incluindo a separação clara dos processos naturais dos antrópicos.

No entanto, a análise dos resultados do programa COSMO permite verificar o agravamento do processo erosivo entre 2010-2018 a sotamar da Figueira da Foz (setor Cova Gala – Lavos), com recuos máximos da ordem dos 50m, confirmando a tendência já observada por Grupo de Trabalho do Litoral, 2014;, André & Cordeiro, 2013 e Oliveira & Oliveira, 2016.

A atenuação do processo erosivo em alguns dos setores identificados estará relacionada com uma série de intervenções de alimentação artificial concretizadas desde 2010 (Pinto et al, 2018) no domínio imerso, emerso e cordão dunar das respetivas áreas de influência ou a barlamar delas na mesma célula costeira (vide Grupo de Trabalho do Litoral, 2014).

Os resultados do programa COSMO parecem reforçar a estratégia de proteção em curso, assente na reposição e manutenção do balanço sedimentar nas células costeiras com tendência erosiva instalada, precedida pela identificação já efetuada de recursos sedimentares compatíveis na plataforma continental próxima e pela otimização da gestão dos dragados pelos Portos.

O défice sedimentar (i.e. ausência de sedimentos) extremamente elevado nas respetivas células costeiras, associado a um clima de agitação marítima extremamente energético e elevada magnitude da deriva litoral (i.e. sedimentos transportados longitudinalmente ao longo do litoral durante um dado intervalo de tempo) contribuem para a tendência erosiva instalada.

A intensidade do fenómeno erosivo, e respetivo risco associado, determinou que a maior parte do investimento efetuado no litoral nos últimos 16 anos, num total de cerca de 295M€, fosse alocado a intervenções de proteção e defesa costeira.

O Programa COSMO vai permitir quantificar a evolução da linha de costa e dos fundos adjacentes, tendo sempre como base a extensão de linha de costa de Portugal Continental, de acordo com a cartografia oficial, ortofotomapas da linha de costa da Direção Geral do Território, permitindo identificar, periodicamente, qual a extensão da linha de costa em situação crítica de erosão e quantificar a respetiva área perdida, de acordo com os critérios aplicáveis.

 

Ordem de aparecimento: 
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Linha de costa em situação de erosão