No que respeita ao número de entidades envolvidas, verifica-se uma tendência de crescimento, passando de 3 entidades em 2022 para 44 em 2025. Este aumento reflete uma crescente mobilização do setor técnico face à importância da monitorização de radão, reforçando a capacidade nacional para a monitorização deste gás. O cumprimento do Guia demonstra o compromisso das entidades com a qualidade, fiabilidade e conformidade dos serviços prestados, em alinhamento com as orientações técnicas em vigor.
Radão, um poluente do ar interior
- Em 2025, 15 novas entidades declararam o compromisso de cumprimento do “Guia para a prestação de serviços na medição de radão por detetores passivos no ar interior de edifícios”, elaborado pela APA, totalizando 44 entidades, o que corresponde a um acréscimo de 51,7% relativamente ao ano anterior.
- Durante este período, foram reportadas à APA 15 093 medições de radão, no âmbito da declaração de compromisso do Guia, o que corresponde a um crescimento de 159%, relativamente a 2024.
- Em 2025, verificou-se uma evolução positiva na execução do Plano Nacional para o Radão, evidenciada pelo aumento das ações concluídas e pela redução das ações por iniciar e em curso.
A ficha temática “Radão, um poluente do ar interior” pretende descrever a evolução das ações previstas no Plano Nacional para o Radão (PNRn), desenvolvidas com o objetivo de reduzir os riscos de longo prazo decorrentes da exposição ao radão em habitações, edifícios abertos ao público e locais de trabalho.
Existem diversos poluentes do ar interior, que podem afetar a nossa saúde, entre eles o radão. O radão é um gás radioativo, de origem natural, sem cor nem cheiro, que resulta do decaimento do urânio presente em rochas e solos e que se liberta e ascende à superfície. O radão produz partículas radioativas que, quando inaladas, ficam retidas nas nossas vias respiratórias provocando lesões nos pulmões. A inalação de radão é a maior fonte de exposição à radiação ionizante contribuindo com mais de 40 % para a dose efetiva anual da população mundial. A exposição prolongada ao radão presente no interior de edifícios é uma das principais causas de aparecimento de cancro do pulmão. Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre 3 a 14% dos cancros do pulmão diagnosticados, a nível mundial, são resultantes da exposição ao radão.
O radão pode infiltrar-se e acumular-se no interior dos edifícios, principalmente a partir do solo, podendo atingir níveis elevados no seu interior. Em Portugal, devido às características geológicas, existem áreas onde essa possibilidade é mais elevada. Para ajudar a identificar essas zonas, foi elaborado o mapa de suscetibilidade ao radão, que indica as áreas onde é mais ou menos provável que os edifícios apresentem níveis de radão superiores ao valor de referência nacional. Contudo, deve ser tido em consideração que este mapa serve apenas como ferramenta de apoio, não devendo ser utilizado para prever o nível de radão num edifício. A única forma de determinar a concentração de radão é através da sua medição. A redução da exposição ao radão no interior dos edifícios pode ser alcançada através de medidas preventivas implementadas na fase de construção de novos edifícios, ou por meio de medidas corretivas ou de remediação em edifícios já existentes.
Mapa de suscetibilidade ao radão

O PNRn, aprovado em dezembro de 2022, assenta em três pilares de atuação – Caracterizar, Reduzir e Comunicar – e inclui um total de 29 ações, a executar durante o período de vigência do Plano (cinco anos). Estas ações foram definidas com o intuito de criar um impacte relevante na mitigação do radão, primordial para a redução das concentrações de radão no interior dos edifícios, mas também outras de carácter mais transversal, como a gestão do radão nos locais de trabalho, comunicação adequada aos diferentes públicos-alvo e garantir a qualidade dos serviços e a qualificação dos profissionais.
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Conceitos «Mapa de suscetibilidade», mapa da incidência espacial do risco de exposição ao radão por freguesia. [Fonte: Resolução do Conselho de Ministros n.º 150-A/2022] «Nível de referência», nível da dose efetiva, da dose equivalente ou da concentração de atividade acima do qual, numa situação de exposição de emergência ou numa situação de exposição existente, se considera inadequado permitir a exposição dos membros do público como consequência dessa situação de exposição, ainda que não se trate de um limite que não possa ser ultrapassado. [Fonte: Decreto-Lei n.º 108/2018] «Radão», radionuclídeo Rn-222 e sua descendência, conforme pertinente. [Fonte: Decreto-Lei n.º 108/2018] «Suscetibilidade», incidência espacial do perigo. Representa a propensão para uma área ser afetada por um determinado perigo em tempo indeterminado, sendo avaliada através dos fatores de predisposição para a ocorrência dos processos ou ações, não contemplando o seu período de retorno ou probabilidade de ocorrência. É representável cartograficamente através de mapas de zonamento, sobretudo nos casos de processos naturais e mistos identificados. [Fonte: Resolução do Conselho de Ministros n.º 150-A/2022] |
Principais instrumentos de política

Contribuição para os ODS




- Diagnóstico e delimitação das zonas de risco de exposição ao radão;
- Redução da exposição ao radão em edifícios;
- Gestão do radão em locais de trabalho e proteção dos trabalhadores;
- Definição de uma estratégia de comunicação direcionada ao público e partes interessadas (stakeholders).
Com o objetivo de assegurar a consistência e a precisão das medições, aumentar a confiança do público nos resultados fornecidos e facilitar o acesso a serviços que seguem as orientações da autoridade competente, a APA desenvolveu o ”Guia para a prestação de serviços na medição de radão por detetores passivos no ar interior de edifícios”. Na página web da APA, está disponível uma lista de entidades que prestam estes serviços, que demonstraram a sua competência e declararam o compromisso de cumprimento do referido Guia.
Evolução do número de entidades prestadoras de serviços na medição de radão
Evolução do número de medições reportadas à APA
Esta evolução no número de entidades traduz-se também num crescimento do número de medições de radão reportadas à APA, no âmbito da declaração de compromisso com o Guia. No ano de 2022, o número de medições foi reduzido, correspondendo a uma fase inicial da implementação do processo e do guia técnico. No ano seguinte verificou-se um aumento muito significativo no número de mediçEsta evolução no número de entidades envolvidas traduz-se também num crescimento do número de medições de radão reportadas à APA, no âmbito da declaração de compromisso com o Guia. No período compreendido entre 2022 e 2025, verifica-se um crescimento muito significativo do número de medições de radão realizadas, evidenciando uma expansão consistente e sustentada da atividade de monitorização a nível nacional.
O número total de medições aumentou de 294, em 2022, para 15 093, em 2025, com a fase inicial (2022–2023) a revelar um crescimento de 597%, seguida de crescimentos progressivamente mais moderados nos anos subsequentes (185% em 2024 e 159% em 2025, relativamente aos anos precedentes), indicando uma consolidação do sistema de monitorização.
Relativamente à distribuição por tipologia de edifícios, observa-se uma predominância das medições realizadas em locais de trabalho, que representam a quase totalidade das medições em todos os anos em análise. Esta tendência está alinhada com o enquadramento regulamentar aplicável à exposição ocupacional ao radão.
Importa salientar que o crescimento do número de medições é substancialmente superior ao aumento do número de entidades, o que se traduz num incremento significativo do número médio de medições por entidade.
De facto, a produtividade média por entidade apresenta uma evolução crescente ao longo do período em análise, passando de cerca de 98 medições por entidade em 2022 para 327 em 2025. Este aumento sugere ganhos de eficiência operacional, maior capacidade técnica instalada e eventual consolidação de práticas e procedimentos associados à monitorização de radão. Adicionalmente, poderá refletir uma intensificação das obrigações regulamentares ou uma maior sensibilização e adesão por parte das entidades abrangidas.
A análise global dos dados aponta para uma evolução positiva e robusta do sistema de monitorização de radão, caracterizada por um aumento significativo da capacidade de resposta e pela progressiva maturidade do setor. Não obstante, a forte concentração das medições no contexto de locais de trabalho evidencia a necessidade de reforçar a monitorização em outras tipologias de edifícios, nomeadamente no setor residencial e em edifícios de uso público, de forma a assegurar uma avaliação mais abrangente da exposição da população ao radão.
No que se refere à execução do PNRn, esta segue uma implementação faseada e estruturada, de acordo com o cronograma definido na Resolução do Conselho de Ministros n.º 150-A/2022, e com um horizonte temporal de cinco anos (2022-2027). As 29 ações previstas, em monitorização, podem ser classificadas em 3 estados de desenvolvimento: por iniciar, a decorrer e concluídas.
Estado de implementação do Plano Nacional para o Radão

Esta evolução traduz uma melhoria no grau de execução global, evidenciada pelo aumento do número de ações concluídas, que duplicaram de cinco para 10, e pela diminuição do número de ações “por iniciar”, de oito para seis. A maioria das ações previstas no Plano (44%) encontra-se em curso, refletindo um ritmo ativo de execução, alinhado com uma implementação faseada e estruturada.
Não obstante esta evolução favorável, a existência de 19 ações ainda não concluídas (seis por iniciar e 13 em curso) indica a necessidade de continuidade dos esforços de implementação e acompanhamento.
- Dados respeitantes a: Portugal continental, Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
- Periodicidade de atualização: anual.
Agência Portuguesa do Ambiente – Radão
Agência Portuguesa do Ambiente – Projeto RadAR